Por que tantos cards valorizam?

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Por que tantos cards valorizam

Caros, cardnautas, no artigo de hoje falarei de um tema sensível há muitos, que é a constante valorização de vários cards de Magic. Como é de senso comum, parte considerável da comunidade reclama (e com certa razão) da constante valorização de vários cards de Magic, the Gathering, tornando a aquisição para os decks uma tarefa hercúlea. Porém, para quem investe financeiramente, nunca houve época tão dourada. Contudo, a ideia deste artigo é ajudar tanto quem só joga, como quem investe e o segredo aqui é simples: ambos devem observar o campo de oportunidade.

Magic é um trading card game muito antigo, com quase 28 anos de existência e um fluxo constante de novas coleções e, por consequência, um fluxo de cards novos. Hoje, desconsiderando artes diferentes, temos mais de 26 mil cards (26.477 – Fonte: Ligamagic.com) e este número não para de crescer e para piorar o cenário, a Hasbro/Wizards só vem aumentando o fluxo de novos produtos. Com isso, mesmo que tenhamos vários produtos com reprint, está cada vez mais impossível cobrir a demanda dos segmentos de mercado.

Nesse vértice, mesmo que o mercado possua o fator especulativo, o que realmente provoca inflação em nossos ativos é a escassez. Um equívoco que muitos cometem ao analisar a valorização de um card é achar que esses processos são meramente artificiais. Na verdade, a maior parte dos cards de Magic que receba um processo de demanda fora do comum vai sofrer grande valorização. Tal fenômeno é fácil de ser observado em cards da Reserved List, que são cards que não podem ser reimpressos em função de um acordo judicial nos Estados Unidos (Prometo falar disso em um artigo futuro).

No entanto, não é a Reserved List o melhor campo para investimento. De fato, pode-se dizer que é justamente nesses cards onde há mais ação especulativa do que influência direta da demanda. Um bom investidor até deve ter alguma aplicação em Reserved List, mas não é recomendável focar nisso. O grande problema está no fato de que são ativos caros, muitas vezes com baixíssima demanda real e só irão gerar ganho líquido a longo prazo.  Para quem apenas joga Magic, se a sua capacidade de investimento é baixa, não seria preciso reforçar que você NÃO deve investir nesse tipo de card.

Com efeito, tanto para um investidor, como para um jogador, a estratégia está em acompanhar o mercado mais de perto, entender os fluxos e motivações de cada demanda e oferta, evitando ser pego de surpresa. Ser apenas um apreciador do hobby não é desculpa para desconhecer os processos econômicos. Nós vivemos em uma sociedade capitalista, onde fatores micro e macroeconômicos influenciam em tudo o tempo inteiro, logo, ignorar esse conhecimento é garantia certa de uma vida com constantes problemas financeiros.

Então, o que devemos primeiro aprender a observar em nosso mercado. Navegando por uma rota contrária, além de ser um ativo financeiro, Magic também é um jogo. Soa engraçado ler esta última frase, mas compreender as tendências dos formatos do card game é o elemento mais óbvio para compreender onde estão os ativos com maior fator de valorização.

Nesta égide, o Magic possui diversos formatos e por ser um jogo extremamente complexo, somos bombardeados por novas informações o tempo todo. Por conta disso, seja qual for o seu foco no jogo, você deve aprender a filtrar e limitar o seu campo de pesquisa e estudo. Existe um pilar fundamental que um investidor deve respeitar, que é o equilíbrio entre manter o foco no que investir e evitar a concentração de seus investimentos. O que quero dizer é que para ser bem sucedido, o investidor não pode apostar em poucos ativos, mas também não pode pulverizar seus investimentos sem limitar a um campo.

Com efeito, trago aqui, dois exemplos distintos de como um investidor ou jogador devem observar o comportamento do mercado e evitar o elemento surpresa. O primeiro exemplo é a movimentação provocada pelo público casual. O formato Commander, por ser o mais vasto e casual, é também hoje o que acolhe o maior público do jogo físico. Neste vértice, tivemos recentemente a valorização de vários cards da combinação de cores preto e verde (Golgari), simplesmente, porque decks com interações novas com cards de Strixhaven se tornaram populares, inclusive por aparições em grandes canais de conteúdo no Youtube.

O exemplo mais icônico deste comportamento é o card Savra, Rainha dos Golgari, que passou da marca de Us$20,00 (vinte dólares). Por se tratar de um card que nunca alcançou este patamar, muita gente adota o comportamento ignorante de criticar lojas locais, sempre criando conspirações ou teorias negacionistas. Porém, esse disparo de preço rolou há algumas semanas no mercado internacional, que devido à discrepância entre valores, acabou forçando a um movimento mais brusco no mercado brasileiro.

A questão em torno desse card é que, embora tenha um histórico de baixo valor, o seu potencial de sinergia com cards novos de Strixhaven promove um fluxo de demanda muito maior que o habitual. Por consequência, se antes sobravam Savras, esta passou a se tornar um card escasso, pois passamos a ter muito mais pessoas interessadas (demanda) do que exemplares a venda nas lojas (oferta). Neste mesmo fluxo, mas com uma curva de oferta-demanda menos agressiva, temos o card Sedgemoor Witch, de Strixhaven.

No caso da Sedgemoor Witch, devemos sopesar o fato de que Strixhaven não obteve sucesso até o momento em impactar os formatos competitivos. Logo, tanto a bruxa, como outros cards Golgari, como o dragão Beledros, acabam inflacionando no mercado, pois a demanda se afunila em estratégias do campo casual.

Porém, os cards citados do primeiro exemplo não valorizaram no momento em que deram os indícios de potencial de demanda. Embora o gráfico da Savra indique uma valorização mais acentuada nos últimos dias, já fazíamos o acompanhamento dos seus indicadores há três semanas. No caso da Sedgemoor Witch, há ainda (pelo menos até o momento em que escrevo este artigo) a possibilidade de investir em cópias por um bom preço.  Com isso, este próprio artigo lhe serve como fonte para um possível investimento.

Em nosso segundo exemplo, que este artigo ainda se torna mais importante, é o card Torrential Gearhulk. Meses atrás, antes do lançamento de Strixhaven, eu já falava deste card, em função do grande volume de novas mágicas instantâneas poderosas. Mais uma vez, o fator jogo indica uma possível valorização, mas dessa vez falamos de um card que não tem nenhuma valorização súbita, mas sim de um card que desde o momento em que apontei o indicador, ele vem valorizando constantemente. Observe sua curva:

Sob a luz do gráfico acima, vemos, que desde o momento em que evidenciamos a sua relação com a coleção Strixhaven, o card progressivamente vem subindo de preço. O que é interessante observar é que este card ainda possui um valor bem abaixo no Brasil, e, mesmo aqui, seu valor médio já sofreu um percentual notável de valorização. O que agrava neste card é o fato dele ser uma staple de um dos principais decks do Pioneer, formato que por conta da pandemia, acaba tendo sua demanda bem reduzida. Com tudo isso, se pensarmos que sem nenhum aumento agressivo, este card já gira em torno de Us$13,00 (treze dólares), temos aí uma grande oportunidade para investimento.

Neste último exemplo fica mais clara a proposta deste artigo: oportunidade. Ler e conhecer o seu campo de mercado é fundamental para saber o momento de investir. Ser apenas um jogador não é desculpa. É necessário saber como investir para que você adquira as peças do seu deck, sem gastar além do seu planejamento. Muitas dessas oportunidades aparecem na sua frente bem antes da curva de oferta-demanda subir, você só precisa estar atento. Fique atento!

Pessoal, visitem meu site: Elder Dragon

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